A chamada “atração fatal” ocorre quando características que inicialmente atraem um parceiro se tornam motivo de descontentamento e, eventualmente, de rompimento. A psicóloga social Diane Felmlee, da Universidade Estadual da Pensilvânia, explica que o excesso de uma qualidade antes admirável—como atenção excessiva ou humor constante—pode ser reinterpretado como algo negativo com o tempo. Essa mudança de percepção não é imediata, mas surge à medida que a paixão inicial diminui e os aspectos práticos do relacionamento ganham destaque.
A pesquisa revela que casais em relacionamentos de longo prazo (entre 10 e 21 anos) enfrentam os maiores desafios de adaptação, com dificuldades para resolver conflitos e ajustar expectativas. A satisfação no relacionamento está ligada a fatores como similaridade de valores, idade e hábitos, como horários de sono e uso de substâncias. Embora diferenças possam ser atraentes no início, elas tendem a se tornar obstáculos com o tempo, especialmente em uniões mais sérias.
Apesar dos desafios, a atração fatal não precisa significar o fim do relacionamento. Parceiros que reconhecem e aceitam traços semelhantes em si mesmos—como teimosia ou forte personalidade—têm maior chance de permanecer juntos. A chave, segundo Felmlee, está na autopercepção e na capacidade de equilibrar admiração e tolerância, transformando potenciais conflitos em oportunidades de crescimento mútuo.