Manifestantes antiaborto marcharam em Buenos Aires neste sábado (29), pedindo a criminalização da prática no país. Os atos ocorrem menos de quatro anos após a legalização do aborto até 14 semanas de gestação, aprovada em 2021. Cartazes com frases como “Ilegal, inseguro e caro” e imagens de médicos com mensagens contra o procedimento marcaram o protesto, além dos tradicionais lenços azuis, símbolo do movimento na América Latina.
O partido do atual governo apresentou um projeto para revogar a lei do aborto no ano passado, mas a proposta não obteve apoio suficiente. Além disso, medidas como o corte de verbas para educação sexual e contraceptivos foram implementadas, alinhadas ao discurso de que políticas de direitos reprodutivos são “ridículas” em meio ao declínio das taxas de natalidade no Ocidente, conforme declarado em fórum internacional.
A Organização Mundial da Saúde alerta que abortos inseguros são responsáveis por 5% a 13% das mortes maternas globais, com três em cada quatro casos na América Latina ocorrendo em condições precárias. O debate continua polarizado, com defensores da legislação atual destacando os riscos de retrocessos para a saúde pública.