A Prefeitura do Rio de Janeiro revogou, em 25 de março, uma resolução que reconhecia práticas tradicionais de matriz africana como complementares ao Sistema Único de Saúde (SUS). Publicada apenas seis dias antes, a medida permitia o uso de técnicas como banhos de ervas, defumação e chás, além de incluir unidades territoriais tradicionais no atendimento de saúde. A justificativa da prefeitura foi a defesa do estado laico e a necessidade de basear políticas públicas em evidências científicas.
Entidades da sociedade civil, como a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro), criticaram a revogação, classificando-a como um retrocesso que reforça a intolerância religiosa e o racismo. O Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) também questionou a rapidez da decisão, sugerindo que ela legitima uma hierarquia racial e religiosa no país. As organizações afirmam que a medida desconsidera diretrizes nacionais e desrespeita conhecimentos ancestrais.
A prefeitura reiterou que a saúde pública deve ser guiada pela ciência e que o estado não deve misturar crenças religiosas em suas políticas. O debate reflete tensões mais amplas sobre a inclusão de tradições culturais e religiosas no SUS, enquanto grupos afro-brasileiros defendem o reconhecimento de suas práticas como parte integral da diversidade e equidade no sistema de saúde.