O conto narra a experiência de um homem que, após sentir um mal-estar inexplicável, busca ajuda médica apenas para descobrir que não há nada fisicamente errado com ele. O médico atribui seu estado à obsessão por más notícias e recomenda atividades prazerosas para estimular endorfinas. No entanto, na mesma noite em que toma o remédio prescrito, o protagonista morre, transcendendo para um estado de consciência pura, onde observa seu próprio velório com ironia e desapego.
A partir dessa perspectiva pós-morte, ele descreve cenas reveladoras: a viúva organizando o funeral com praticidade, amigos hipócritas e filhos discutindo heranças, enquanto reflete sobre a natureza efêmera e contraditória da vida humana. Livre do corpo físico, ele experimenta uma existência etérea, nutrida por uma “endorfina primordial”, que simboliza um prazer desvinculado das limitações terrenas.
Com um tom que mistura realismo e fantástico, o autor explora temas como a finitude, a percepção da morte como transformação e a ironia dos rituais sociais. A narrativa, inspirada no estilo de Machado de Assis, questiona a materialidade da vida e sugere que a verdadeira liberdade pode estar além dela, em um estado de consciência expandida e desprendida das trivialidades humanas.