A descoberta de 11 bilhões de barris de petróleo pela Exxon em 2015 transformou a Guiana, pequeno país sul-americano coberto por florestas tropicais, em uma das economias de crescimento mais rápido do mundo. Com a produção atual de 650 mil barris diários e planos de expandir para 1,3 milhão até 2027, o país viu seu PIB crescer mais de 40% em 2024. O governo defende que a exploração petrolífera financiará infraestrutura, saúde e adaptação climática, mas críticos alertam para os riscos da dependência de combustíveis fósseis em um território vulnerável à elevação do nível do mar.
Apesar do boom econômico, a população enfrenta inflação de 6,6% em 2023 e altos custos de vida, com relatos de que os lucros do petróleo não estão chegando à maioria. O contrato com a Exxon, que permite à empresa recuperar 75% dos investimentos antes de dividir lucros, é alvo de controvérsias. Enquanto o governo atual reconhece falhas no acordo, mantém o compromisso, destacando que futuros contratos terão termos mais favoráveis. Paralelamente, a Guiana busca equilibrar sua imagem de “sumidouro de carbono” — graças às suas florestas — com a ambição de se tornar um petroestado.
Especialistas temem que o país caia na “maldição dos recursos”, com corrupção e desequilíbrios de poder, como ocorreu em nações vizinhas. A Exxon afirma ter injetado bilhões na economia local, mas ambientalistas argumentam que a aposta no petróleo é arriscada, principalmente diante do potencial para energias renováveis. Com tensões geopolíticas, como a disputa territorial com a Venezuela, e desafios climáticos, o futuro da Guiana como potência petrolífera permanece incerto.