A mãe descreve a luta diária para levar o filho à escola após a pandemia, um desafio que se tornou uma crise familiar. O menino, que antes frequentava as aulas sem problemas, passou a ter ataques de pânico ao se aproximar do colégio, reflexo do isolamento social e da mudança brusca de rotina durante a COVID-19. A situação se agravou com a transição para o ensino médio, onde o ambiente maior e mais barulhento intensificou sua ansiedade. Apesar do apoio da escola, incluindo acompanhamento terapêutico e reuniões com administradores, o progresso foi lento e doloroso, culminando até na perda do emprego da mãe devido ao esgotamento acumulado.
O fenômeno não se limitou à sua família. Dados do National Center for Education Statistics mostram que o absenteísmo crônico dobrou após a pandemia, atingindo 30% dos estudantes em 2021. Muitas crianças, especialmente as que já lidavam com ansiedade, encontraram nas salas de aula um espaço hostil, repleto de estímulos esmagadores. Enquanto famílias em distritos com mais recursos recebiam apoio, outras enfrentavam medidas punitivas, evidenciando uma desigualdade no acesso a cuidados com a saúde mental. A mãe destaca que, por trás dos números, há histórias de desespero silencioso e a culpa internalizada pelos pais, que se questionam se poderiam ter feito mais.
Aos poucos, o filho começou a se adaptar, acordando mais cedo e indo sozinho para a escola, mas os vestígios do trauma persistem. A filha mais nova, que enfrentou leucemia durante a infância, também passou a demonstrar resistência às aulas, repetindo o ciclo de ansiedade. A mãe enfatiza que a superação não veio em grandes vitórias, mas em pequenos passos: um dia de aula sem faltas, uma conversa sobre o futuro, o abraço no gato antes do amanhecer. A narrativa, embora pessoal, reflete um problema coletivo—o legado emocional da pandemia ainda presente na geração mais jovem.