No dia 6 de março, durante uma partida entre Palmeiras e Cerro Porteño, um jogador do time sub-20 do Palmeiras, Luighi, foi alvo de atitudes racistas por parte de um torcedor paraguaio. O agressor imitou gestos de macaco em direção ao jogador e também o insultou verbalmente, além de cuspir nele enquanto se dirigia ao banco de reservas. A agressão gerou repercussão, pois o Paraguai possui uma legislação desde 2022 que pune atos racistas, incluindo multas de até R$ 7.800. No entanto, especialistas locais apontam que a aplicação da lei nesse caso específico pode ser dificultada por aspectos legais e pela natureza do incidente.
A legislação paraguaia sobre racismo, embora recente, prevê punições para discriminação racial, incluindo restrições ao exercício de direitos e a promoção de ideologias racistas. No entanto, o artigo 2º da lei exige que as ofensas sejam direcionadas a afrodescendentes que residem no país, o que levanta dúvidas sobre a aplicabilidade no caso de Luighi, que não é residente no Paraguai. Advogados acreditam que, devido à natureza do ato, pode ser difícil que o agressor seja penalizado sob a legislação atual, já que a lei exige uma interpretação restritiva, especialmente em relação ao conceito de “ideias racistas”.
Enquanto no Brasil o crime de injúria racial foi recentemente equiparado ao crime de racismo, o Paraguai enfrenta desafios em aplicar sua legislação, especialmente por conta das diferenças culturais e da menor população negra no país. Apesar disso, especialistas sugerem que Luighi poderia recorrer ao crime de injúria, mas as chances de punição no Paraguai são vistas como limitadas, dado o alcance da lei local e as especificidades do caso.