A nova produção de “Of Mice and Men” no Octagon, em Bolton, dirigida por Sarah Brigham, apresenta uma abordagem visualmente bela, mas enfrenta dificuldades em transmitir a tensão claustrofóbica da obra original de John Steinbeck. A peça, adaptada da novela de 1937, acompanha a jornada de dois amigos itinerantes durante a Grande Depressão nos EUA, destacando a relação complexa entre George, o protetor, e Lennie, personagem com deficiência intelectual. A encenação opta por usar bonecos para representar os animais que Lennie interage, reforçando a conexão entre sua postura física e a dos bichos.
William Young, ator com deficiência intelectual, interpreta Lennie com uma delicadeza que humaniza o personagem, capturando sua vulnerabilidade e gestos inquietos. No entanto, a adaptação parece perder parte da intensidade dramática do texto original, resultando em uma atmosfera mais contida. O design cênico é elogiado, mas a narrativa não consegue reproduzir plenamente o peso emocional da história.
A peça permanece em cartaz até 12 de abril, oferecendo uma releitura que, apesar de suas qualidades técnicas, deixa a desejar em termos de impacto dramático. A escolha de incluir um ator com deficiência para o papel de Lennie é um acerto, mas a direção não explora todo o potencial da trama, deixando o público com uma sensação de oportunidade perdida.