Entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, os efeitos das mudanças climáticas causadas pelo ser humano foram evidentes em praticamente todas as regiões do planeta, conforme aponta uma nova análise da Climate Central. O estudo revelou que cerca de um em cada cinco pessoas no mundo — ou 1,8 bilhão de pessoas — vivenciaram temperaturas fortemente influenciadas pelas mudanças climáticas durante todos os dias desse período. Além disso, em metade dos países analisados e em 287 cidades ao redor do mundo, a temperatura média foi influenciada por mudanças climáticas por pelo menos um terço dos três meses analisados.
O relatório também destacou que, no mesmo período, aproximadamente 394 milhões de pessoas enfrentaram 30 ou mais dias de calor extremo, definidos como aqueles em que a temperatura local superou 90% das máximas observadas entre 1991 e 2020. Esses dias de calor extremo aumentam o risco de problemas de saúde, como desidratação e insolação. A África foi a região mais afetada, com 74% das pessoas que enfrentaram esses dias de calor extremo residindo no continente, além de áreas do Brasil, Indonésia e Papua Nova Guiné também sendo severamente impactadas.
A pesquisa reforça a ideia de que as populações que menos contribuíram para o problema das mudanças climáticas são, frequentemente, as mais expostas aos seus efeitos. Nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 45% das cidades analisadas vivenciaram temperaturas mais altas ou dentro da média, e 14 cidades, principalmente no oeste do país, experimentaram semanas de calor extremo com impactos significativamente mais fortes devido às mudanças climáticas. Esses dados evidenciam que as mudanças climáticas não são um problema distante, mas uma realidade que já afeta a vida cotidiana das pessoas ao redor do mundo.