Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto desenvolveram um novo método para detectar a dengue nos primeiros dias de infecção, utilizando um sensor de baixo custo que fornece resultados em aproximadamente 30 minutos. Diferente dos testes tradicionais, que identificam anticorpos, a tecnologia usa fragmentos de DNA para reconhecer a proteína NS1, presente no vírus desde o início da infecção. Isso permite um diagnóstico precoce, entre o segundo e o quarto dia, quando os exames sorológicos ainda não são eficazes.
O sensor, chamado de aptassensor, funciona com aptâmeros — moléculas de DNA que se ligam especificamente à proteína NS1, gerando uma mudança elétrica detectável. Essa abordagem elimina a necessidade de reagentes caros e reduz o tempo de análise, que em métodos como o PCR pode levar horas. Além disso, o custo estimado do teste é de cerca de R$ 30, tornando-o uma alternativa acessível para sistemas de saúde.
Apesar dos resultados promissores, a tecnologia ainda está em fase de aprimoramento, sendo capaz de identificar apenas os sorotipos 1 e 4 da dengue. A equipe de pesquisa busca expandir sua aplicabilidade para ambientes clínicos, potencialmente reduzindo a sobrecarga hospitalar e permitindo tratamento mais rápido. O estudo foi desenvolvido em colaboração com grupos da USP e da Unesp, destacando-se como uma inovação na área de diagnósticos rápidos.