Em “The Tiger’s Share”, segundo romance de Keshava Guha, a narrativa acompanha Tara Saxena, que descreve a vida em Delhi sob uma perspectiva marcada pela degradação ambiental e social. As estações são retratadas de forma visceral, com outonos envoltos em poluição e verões escaldantes, onde os moradores se refugiam em ambientes refrigerados. A breve chegada das chuvas traz um alívio passageiro, simbolizando a fugacidade de qualquer conforto em uma cidade onde montanhas de lixo e gases tóxicos contrastam com hospitais onde nascem novas vidas.
A obra utiliza imagens relacionadas a alimentos para reforçar a ideia de perecibilidade, não apenas de produtos, mas de pessoas e espécies. Essa abordagem destaca a fragilidade da existência em um ambiente urbano caótico, onde a decadência parece inevitável. O romance levanta questões complexas sobre patriotismo, nacionalismo e as transformações pela qual a Índia passa, tudo isso entrelaçado aos conflitos familiares que servem como pano de fundo para a trama.
Com uma prosa afiada e repleta de simbolismos, Guha constrói uma crítica social implícita, convidando o leitor a refletir sobre as contradições do progresso e a natureza efêmera da vida moderna. A narrativa não apenas expõe as tensões internas de uma família, mas também as divisões mais amplas de uma sociedade em constante mudança, onde identidades e lealdades são frequentemente postas à prova.