“The Unworthy”, de Agustina Bazterrica, é uma obra distópica que explora a sobrevivência em um mundo pós-colapso civilizacional, focando em uma seita religiosa cruel. A história é narrada por uma mulher que encontra refúgio em um mosteiro repaginado, governado por uma figura autoritária que segue as ordens de uma entidade divina desconhecida. A trama aborda o sofrimento das mulheres que buscam ser “Escolhidas”, passando por mutilações extremas para servir a um Deus oculto. Embora a escrita seja elogiada, a construção do cenário religioso e suas práticas extremas podem parecer forçadas, o que diminui o impacto da narrativa.
“Dissolution”, de Nicholas Binge, mistura ficção científica e romance em uma trama intrigante sobre memória e tempo. Maggie, uma mulher idosa, busca reconectar-se com o marido afetado por uma doença degenerativa. Ela descobre um processo radical que poderia ajudá-la a recuperar as memórias compartilhadas entre eles, inclusive um segredo do marido que poderia restaurar sua mente. No entanto, essa busca por respostas a leva a questionar a confiança nas pessoas ao seu redor. O livro se destaca pela exploração profunda da memória e das implicações emocionais e filosóficas desse processo.
Essas obras se destacam por suas temáticas profundas e pela abordagem de questões existenciais, como a busca por identidade, a manipulação da memória e os limites da fé e da moralidade. A ficção especulativa e a distopia são usadas de maneira eficaz para provocar reflexões sobre a condição humana, criando tramas envolventes e desafiadoras para os leitores.