Em várias unidades prisionais do Brasil, como no Complexo Penitenciário de Hortolândia, no interior de São Paulo, mulheres desempenham um papel central na organização das visitas aos presos. Elas formam redes de apoio para facilitar a entrada e permanência das visitantes, com destaque para a coordenação das filas e a orientação sobre procedimentos internos do presídio. Essas mulheres criam grupos de WhatsApp para distribuir senhas, organizar transportes e fornecer suporte emocional a novas visitantes, estabelecendo um sistema informal de ajuda mútua, sem qualquer apoio institucional.
Além de organizar o fluxo de visitantes, essas mulheres também se mobilizam para garantir direitos, como o combate a práticas consideradas invasivas nas revistas íntimas, e até promovem protestos ou abaixo-assinados em favor de melhorias nas condições de visitação. A presença dessas redes femininas nos arredores dos presídios se tornou fundamental, pois ajudam a suprir lacunas deixadas pelo próprio sistema, oferecendo suporte material e psicológico para quem visita os encarcerados. A solidariedade é, portanto, um pilar central dessa rotina.
A antropóloga Natália Corazza Padovani destaca que, embora o sistema penitenciário seja amplamente visto como masculino, são as mulheres que, em grande parte, sustentam e cuidam dessa estrutura, criando redes de aprendizado e afeto nos arredores das prisões. Elas se tornam responsáveis não só pela manutenção das visitas, mas também por garantir que as necessidades dos presos sejam atendidas, desempenhando um papel invisível, porém essencial, no cotidiano dos complexos prisionais.