O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) organizou entre 11 e 14 de março de 2025 a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra, com o objetivo de pressionar por mais agilidade na reforma agrária. Durante a ação, o movimento realizou ocupações em terras na Bahia, Ceará, Espírito Santo e outros estados, destacando a principal ocupação em Aracruz (ES), em áreas pertencentes à empresa Suzano. A mobilização, que envolveu mais de 12 mil mulheres em todo o país, teve como foco a denúncia dos impactos ambientais da monocultura de eucalipto e o aumento da pressão pela reforma agrária.
As ocupações ocorreram em contextos diversos, com áreas improdutivas sendo ocupadas na Bahia e terrenos de grandes agronegócios, como no Ceará. Em algumas regiões, como no Rio Grande do Sul, também ocorreram protestos contra empresas de papel e celulose, enquanto em outros estados, como no Maranhão, houve bloqueios rodoviários. O MST organizou essas manifestações como uma continuidade ao Dia Internacional da Mulher (8 de março) e com o objetivo de reforçar a luta pela reforma agrária, que será intensificada no mês de abril durante a mobilização do Abril Vermelho.
A empresa Suzano, que teve terras ocupadas pelo movimento, entrou com um pedido de reintegração de posse e obteve uma decisão judicial favorável, determinando a desocupação imediata. A empresa destacou que a ação foi estranha, dado o diálogo construtivo com o governo e os acordos existentes com o MST e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Em resposta, o MST afirmou que a ocupação faz parte da luta histórica do movimento e acusou políticos de extrema-direita e autoridades locais de promoverem ameaças e insegurança às mulheres envolvidas nas ocupações.