A obra “Momo”, criada pelo ator e pesquisador Alberto Silva Neto, é um monólogo autobiográfico que aborda os conflitos geracionais masculinos, especialmente as relações entre pai e avô. A narrativa explora a tensão entre a postura conservadora do avô e a transgressora do pai, refletindo sobre o amor e o ódio do artista por seu pai. A peça, que será apresentada no SESC Casa de Artes Cênicas em Belém nos dias 8 e 9 de março, também utiliza cartas trocadas entre seu pai e avô na década de 1960 como ponto de partida para a reflexão sobre sua ancestralidade masculina.
A encenação de “Momo” é descrita como crua e sem recursos cenográficos elaborados, buscando um ato de sinceridade e confissão diante das testemunhas. O espetáculo é marcado pela fusão de elementos pessoais e filosóficos, com o uso de textos de escritores como Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, e outros. Além disso, a peça carrega uma forte influência do artista Antonin Artaud, do qual a obra toma seu título, simbolizando o bobo que fala verdades desconfortáveis.
No contexto do projeto Escambo, que promove uma troca cultural entre diversas regiões do Brasil, Alberto Silva Neto também realizará uma oficina e uma mesa pública. A oficina “A carne da palavra” propõe experimentos cênicos que exploram a relação entre palavra e corpo, enquanto a mesa pública “Pachiculimba” discutirá a criação de um espetáculo contra-hegemônico realizado na Ilha de Mosqueiro. O projeto Escambo segue até o final de março e oferece uma programação diversificada, com apresentações e discussões sobre a arte e a política do teatro contemporâneo.