As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) encerraram a quarta-feira em alta, influenciadas pela valorização do dólar frente ao real e pelo aumento dos rendimentos dos Treasuries nos EUA. O mercado local demonstrou preocupação com o controle da inflação, especialmente após medidas do governo para impulsionar o crédito, como o programa de consignado para trabalhadores privados. Entre os contratos mais líquidos, as taxas para janeiro de 2026 e 2027 subiram, refletindo o cenário de incerteza.
O cenário externo também pesou, com os yields dos Treasuries em alta devido a ajustes de carteiras no fim do trimestre e às tensões sobre a política tarifária do governo norte-americano. Além disso, a apreciação do dólar pressionou a inflação doméstica, aumentando as expectativas de que o Banco Central possa elevar a Selic em maio, mesmo que em menor intensidade do que inicialmente previsto. O mercado precifica probabilidades significativas de altas de 50 ou 75 pontos-base na próxima reunião do Copom.
A expansão do crédito consignado, que pode injetar mais de R$ 120 bilhões na economia, gerou debates sobre seus efeitos contraditórios: enquanto estimula a atividade, também pode dificultar o controle inflacionário. Agentes do mercado avaliam que o BC tende a manter uma postura restritiva, mesmo diante das pressões do governo por estímulos. Com isso, as apostas em futuros do DI seguem em alta, sinalizando um ambiente de juros elevados no médio prazo.