O texto relembra o período conturbado da transição da ditadura para a democracia no Brasil, em 1985, marcado pela crise de saúde de Tancredo Neves, o presidente eleito que não chegou a assumir o cargo. Internado às vésperas da posse, sua condição médica grave mobilizou o país, com aglomerações de pessoas em frente ao hospital e boletins médicos divulgados pelo jornalista Antonio Britto. A esperança de recuperação se misturava à angústia, especialmente porque o presidente interino era visto com desconfiança por sua ligação com o regime anterior.
A situação se agravou em 26 de março, quando Tancredo foi transferido para São Paulo, onde multidões se reuniam para orar por sua recuperação. As oscilações em seu quadro clínico mantinham o país em suspense, entre momentos de otimismo e desespero. As imagens da época, transmitidas pela televisão, ficaram gravadas na memória de muitos, incluindo a do narrador, que recorda a comoção de sua mãe ao acompanhar o noticiário.
O drama só terminou em 21 de abril, com a morte de Tancredo, deixando um legado de incerteza e luto na recém-nascida Nova República. O texto captura não apenas um momento histórico, mas também o impacto emocional desses eventos na vida cotidiana dos brasileiros, mostrando como a política e a saúde de um líder podem se tornar parte íntima da memória coletiva.