Algumas das principais desenvolvedoras de créditos de carbono do Brasil decidiram não participar do primeiro leilão de concessão de florestas desmatadas do país, organizado pelo governo do Pará. Apenas duas empresas, Systemica e BR Carbon, enviaram propostas, enquanto outras grandes nomes do setor, como Mombak, Carbonext e Future Climate, optaram por ficar de fora. O desinteresse surpreendeu os organizadores, já que muitas dessas empresas haviam participado ativamente de discussões públicas sobre o projeto nos últimos meses.
O leilão, focado na restauração de 10 mil hectares na Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu (URTX), enfrenta desafios logísticos e operacionais significativos, incluindo isolamento geográfico e conflitos com grileiros. As empresas que desistiram citaram a falta de flexibilidade do governo e a complexidade de atuar em uma área tão remota. Além disso, o modelo financeiro exige investimentos pesados nos primeiros anos, sem garantia de retorno imediato, já que os créditos de carbono só poderão ser comercializados após a certificação, prevista para 2032.
A baixa adesão ao leilão pode desacelerar iniciativas semelhantes em outros estados e no governo federal, que planeja lançar concessões nos próximos meses. Embora o Pará tenha oferecido incentivos, como assumir custos em caso de danos não causados pela concessionária, as incertezas sobre segurança e viabilidade econômica pesaram na decisão das empresas. O resultado do leilão, marcado para esta sexta-feira (28), deve definir o futuro desse modelo de restauração florestal no Brasil.