O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou sua visita de Estado ao Japão, a primeira em quase três décadas, para reforçar a defesa do livre comércio e do multilateralismo em um momento de tensões globais. Em discursos em Tóquio, Lula criticou o protecionismo e alertou para os riscos de uma nova Guerra Fria, sem mencionar diretamente as tarifas impostas pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump. O primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, destacou a importância da relação com o Brasil diante dos conflitos internacionais, enquanto ambos assinaram acordos bilaterais em áreas como agricultura, tecnologia e meio ambiente.
A visita também marcou avanços comerciais, como a venda de jatos da Embraer para uma companhia aérea japonesa, em um contrato de R$ 10 bilhões. Lula sugeriu a ampliação da parceria, enquanto o Japão demonstrou interesse em aprofundar as relações com o Mercosul. Outro tema em discussão foi a liberação da carne brasileira para o mercado japonês, com o envio de especialistas sanitários para avaliar o processo, sem prazo definido.
Especialistas japoneses apontam que o Japão busca fortalecer laços com o Brasil para contrabalançar a influência da China na América Latina e diversificar investimentos em meio às tensões geopolíticas. A viagem de Lula, que segue para o Vietnã, ocorre em um contexto de busca por maior inserção global do Brasil, enquanto a primeira-dama, Janja, viaja à França para discutir combate à desnutrição infantil.