O filme “The Alto Knights: Máfia e Poder”, recentemente lançado, carrega uma história digna de cinema não apenas em seu enredo, mas também em sua produção. O roteiro, escrito por Nicholas Pileggi, foi oferecido desde a década de 1970, mas só ganhou vida décadas depois, quando a Warner retomou o projeto em 2022. Dirigido por Barry Levinson, o longa marca a influência do executivo David Zaslav na tentativa de renovar a imagem do conglomerado Warner Discovery. Apesar do tempo de espera, a produção chega às telas com um tom envelhecido, quase empoeirado, refletindo seu longo período de desenvolvimento.
A trama, inspirada em fatos reais, mergulha nos conflitos entre dois líderes da máfia nova-iorquina na década de 1950. O filme se destaca pela escolha curiosa do elenco, com Robert De Niro interpretando ambos os personagens centrais, imprimindo personalidades distintas a cada um. Enquanto um é calculista e contido, o outro é explosivo e emocional, demonstrando a versatilidade do ator. No entanto, a narrativa oscila entre o passado e o presente, perdendo foco no que deveria ser seu cerne: o conflito direto entre as duas figuras.
Apesar de momentos interessantes, “The Alto Knights” peca por não explorar plenamente seu potencial. A estrutura narrativa, repleta de flashbacks e uma voz explicativa do protagonista, acaba tornando o ritmo arrastado e didático. O longa parece hesitar em se aprofundar no embate central, preferindo reviver origens que pouco acrescentam à trama principal. O resultado é uma produção que, embora tenha seus méritos, deixa a sensação de que poderia ter sido mais impactante.