A comunidade evangélica brasileira nos Estados Unidos tem enfrentado uma situação delicada desde a intensificação das políticas migratórias de Donald Trump. A implementação de medidas mais rigorosas contra imigrantes sem documentos gerou temor entre os fiéis, que, em muitos casos, têm procurado orientações jurídicas e apoio em suas igrejas. Alguns líderes religiosos, como o pastor Paulo Tenório, têm incentivado os membros a manterem a fé e a perseverança, apesar das dificuldades impostas pela nova administração. Além disso, igrejas como a CTK United e a Waves of Revival começaram a oferecer serviços de assistência legal aos imigrantes que enfrentam o risco de deportação.
Por outro lado, embora muitos evangélicos brasileiros nos EUA tenham apoiado Trump devido à sua postura conservadora em questões como aborto e políticas de gênero, uma parte significativa da comunidade enfrenta o dilema da incompatibilidade entre suas crenças religiosas e as políticas de deportação do governo. Algumas igrejas passaram a adotar estratégias para proteger seus membros, como a assinatura de documentos de guarda temporária de crianças, caso os pais sejam detidos. Outros líderes religiosos se mostram preocupados com a possibilidade de ações mais agressivas do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), especialmente em áreas sensíveis, como templos e escolas.
Apesar do desconforto, muitos pastores evangélicos ainda consideram as ações de Trump legítimas, defendendo que as leis devem ser cumpridas, mesmo que afetem a própria comunidade religiosa. No entanto, há uma preocupação crescente de que a situação possa se agravar, especialmente se as operações de deportação se estenderem a imigrantes sem histórico criminal. Alguns líderes já alertam que, caso a situação se torne insustentável, a postura da comunidade evangélica poderá mudar, com um possível distanciamento das políticas do presidente.