O governo do Pará realiza nesta sexta-feira (28) um leilão inédito na B3, em São Paulo, para conceder a gestão de 10 mil hectares da Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu, em Altamira. O vencedor terá 40 anos para recuperar a área degradada e explorá-la economicamente, incluindo a venda de créditos de carbono, produtos madeireiros e não madeireiros. O projeto, considerado piloto no Brasil, prevê um investimento de R$ 258 milhões e deve gerar R$ 869 milhões em receita, além de criar cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos.
A iniciativa busca restaurar a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos em uma das regiões mais pressionadas pelo desmatamento ilegal na Amazônia. O edital estabelece contrapartidas, como a capacitação de mão de obra local e parcerias com comunidades para fornecer insumos à restauração. Em troca, o Estado garantirá infraestrutura, segurança e regularização fundiária. A expectativa é que, em 40 anos, a área sequestre 3,7 milhões de toneladas de carbono.
O modelo é alinhado à lei do mercado de carbono sancionada em dezembro de 2024 e foi anunciado durante a COP 29 no Azerbaijão. Ambientalistas destacam a importância de incluir comunidades locais no processo e de proteger a biodiversidade. O governo do Pará planeja estender o projeto a outros 20 mil hectares na mesma região, ampliando o potencial de geração de créditos e recuperação ambiental.