Enquanto a maioria das séries adolescentes exagera em sexo, drogas e escândalos, “Dreamers” se destaca por seu realismo cru. Ambientada em Leeds, a produção britânica acompanha rivalidades em uma escola de dança, optando por um tom documental e diálogos espontâneos, muitas vezes truncados, que refletem a banalidade do cotidiano. Dirigida por Sara Dunlop e escrita por Lisa Holdsworth e Gem Copping, a série evita glamour, focando em cenas longas de rotina e movimentos de dança impressionantes, criando um contraste entre o ordinário e o artístico.
O texto ressalta que, ao contrário de produções como “Euphoria” ou “Sex Education”, que exploram excessos dramáticos, “Dreamers” quase recusa-se a ser entretenimento convencional. Sua abordagem naturalista, com enquadramentos deliberadamente simples e conversas que terminam sem resolução, pode ser tanto um mérito quanto um ponto fraco. A série prioriza a autenticidade, mas corre o risco de parecer monótona para quem busca narrativas mais dinâmicas.
Com uma estética que mistura coreografias vibrantes com cenas cotidianas desgastadas, “Dreamers” se assemelha a um retrato vivo da juventude trabalhadora. O título original, “Dance School”, seria mais fiel ao seu estilo direto, mas a escolha por “Dreamers” sugere uma ironia sutil diante da realidade pouco glamourizada que a série apresenta. A produção é um experimento ousado, embora nem sempre cativante, no gênero teen.