A multinacional Martinrea Honsel foi condenada pela Justiça do Trabalho a pagar uma multa de R$ 327,7 mil devido à prática de assédio moral e jornadas excessivas em sua filial de Monte Mor, São Paulo. A condenação se baseou no descumprimento de um termo de ajuste de conduta firmado em 2015, no qual a empresa se comprometeu a respeitar os direitos dos trabalhadores, evitando pressões para horas extras e discriminação. A decisão da juíza destacou que as medidas foram necessárias para garantir a dignidade dos empregados e melhorar as condições laborais, apontando pressões relacionadas ao trabalho, discriminação e perseguições, especialmente contra funcionários em processo de reabilitação.
Os relatos dos trabalhadores confirmam as acusações de assédio moral organizacional, onde atitudes de supervisores e a dinâmica de trabalho causaram situações humilhantes e vexatórias. Entre os depoimentos, foram mencionadas ameaças públicas de demissão, intimidações constantes, além de um controle excessivo sobre pausas e idas ao banheiro. Funcionários também relataram discriminação em relação aos colegas com lesões ou doenças ocupacionais, sendo desencorajados a interagir com esses trabalhadores, considerados uma “má influência”. A empresa ainda não se manifestou sobre a decisão até a data da reportagem.
Uma pesquisa anônima realizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) revelou que uma parcela significativa dos trabalhadores vivenciou essas condições de trabalho. De acordo com os resultados, 43% dos entrevistados relataram assédio moral, 45,1% foram pressionados a fazer horas extras, e 72% enfrentaram sobrecarga de trabalho. Entre os reabilitados, 86% afirmaram ter sido vítimas de assédio e pressão para realizar tarefas incompatíveis com sua condição de saúde. A pesquisa evidenciou a persistência de práticas prejudiciais ao bem-estar dos empregados, mesmo após compromissos legais firmados pela empresa.