O JPMorgan revisou suas estimativas para o setor de shoppings brasileiros, mantendo recomendações neutras para as ações do segmento. Apesar de avaliações atrativas, com múltiplos P/FFO entre 8-11 vezes e rendimentos operacionais de 9-13%, o banco não identifica gatilhos de curto prazo para uma reavaliação positiva. O cenário de juros elevados, com projeções de mais dois aumentos da Selic em maio e junho, pressiona os custos de dívida e reduz marginalmente as projeções de fluxo de caixa por ação (FFOPS) para 2025. A preferência no setor segue a ordem Multiplan, Iguatemi e Allos, embora o banco continue favorecendo construtoras em relação a shoppings.
Historicamente, os shoppings tendem a superar o Ibovespa após o último aumento da Selic, com ganhos médios de 21 pontos percentuais em 12 meses. No entanto, desde o início do ciclo de alta em 2024, as ações do setor caíram entre 14-15%, refletindo a sensibilidade às taxas de juros. Os economistas do JPMorgan projetam um crescimento do PIB de 2,2% em 2025, abaixo dos 3,5% de 2024, o que pode impactar as vendas mesmas lojas (SSS), especialmente para empresas como Iguatemi e Multiplan.
O banco destaca riscos específicos para cada empresa, como a exposição à Selic no caso da Iguatemi, que tem mais de 85% da dívida atrelada a taxas flutuantes, e os desafios operacionais da Allos no segmento de alta renda. A Multiplan, embora com portfólio premium, enfrenta pressões macroeconômicas e maior alavancagem. Apesar disso, um ciclo monetário menos restritivo e fusões e aquisições bem-sucedidas podem trazer oportunidades para o setor no médio prazo.