James Graham reescreveu partes de sua aclamada peça sobre o treinador Gareth Southgate e a seleção inglesa de futebol, atualizando a narrativa para refletir a derrota da equipe na final da Eurocopa de 2024. Originalmente, a peça apresentava uma conclusão triunfante, com Southgate utilizando métodos de psicologia e motivação para levar a Inglaterra ao título. No entanto, após a derrota de 2-1 para a Espanha, a nova versão se torna mais reflexiva, focando nas margens mínimas entre o sucesso e o fracasso, tema central que surge a partir da decisão da final, marcada por um gol espanhol questionado por um rigoroso revisão de impedimento.
A reinterpretação da peça, que é agora mais introspectiva, busca explorar o impacto psicológico da derrota e o processo de renovação do time inglês sob o comando de Southgate. O dramaturgo não só reescreveu a segunda metade da obra, como também introduziu novos personagens, ampliando a complexidade emocional da narrativa e mantendo o foco na humanidade dos envolvidos. Graham explica que sua escolha de revisitar e adaptar a história se deve ao fato de que o enredo original foi escrito “no intervalo”, ou seja, antes de uma decisão importante que acabou por mudar o rumo da seleção inglesa.
A peça, agora mais sensível e aberta à reflexão sobre os desafios enfrentados pela equipe, traz uma nova perspectiva sobre o papel de Southgate como líder. Ele surge não apenas como um treinador de futebol, mas como uma figura progressista e alternativa no cenário político e social, sugerindo uma liderança mais humana e cuidadosa. O uso do futebol como metáfora para as incertezas e pequenas vitórias da vida cotidiana continua a ser um elemento central na obra.