A Itália anunciou mudanças significativas em suas leis de cidadania, limitando o direito de obter o passaporte italiano apenas até netos de cidadãos nascidos no país. Anteriormente, era possível reivindicar a nacionalidade com base em ancestrais distantes, desde que estivessem vivos após 17 de março de 1861, data da criação do Reino da Itália. O governo alegou que o sistema estava sendo abusado, com consulados no exterior sobrecarregados por solicitações, muitas impulsionadas por empresas que lucram com buscas genealógicas.
O ministro das Relações Exteriores destacou que a cidadania italiana “não é um jogo” e criticou o uso do passaporte como benefício para viagens ou compras. Dados mostram um aumento de 40% no número de italianos registrados no exterior entre 2014 e 2024, com destaque para países da América do Sul, como Argentina e Brasil, onde milhões de descendentes de imigrantes vivem. A nova regra visa reduzir a pressão sobre os consulados, centralizando os processos em Roma.
A medida também reflete preocupações demográficas, já que a população italiana vem diminuindo há uma década. Embora o governo tenha sugerido atrair descendentes de italianos para reverter o declínio, críticos argumentam que a cidadania por ancestralidade é injusta, especialmente para filhos de imigrantes nascidos na Itália, que enfrentam restrições maiores. A mudança deve impactar milhões de pessoas que, sob as regras antigas, seriam elegíveis.