A retomada dos bombardeios israelenses em Gaza, iniciada na madrugada de terça-feira (18), é vista por analistas como uma resposta a questões internas de Israel, especialmente em relação ao primeiro-ministro e investigações de corrupção. O governo de Tel-Aviv alega que os ataques são uma reação à recusa do Hamas em negociar a liberação de reféns, mas especialistas indicam que a verdadeira motivação pode ser a pressão política sobre Netanyahu, exacerbada pelo escândalo conhecido como Qatar Gate, envolvendo questões financeiras e corrupção. Essa situação levanta dúvidas sobre o papel do cessar-fogo e seus desdobramentos, principalmente com a demissão do chefe da segurança interna, Ronen Bar, após divergências sobre a investigação.
Especialistas como Michel Gherman e Rashmi Singh apontam que a retomada dos ataques a Gaza pode estar ligada também a um projeto mais amplo de anexação da região, algo que já se observa na Cisjordânia, com a expulsão de palestinos de suas residências. A argumentação de Israel para justificar os bombardeios, ligada ao combate ao terrorismo, é considerada por esses analistas como uma tática de distração para alcançar objetivos territoriais, enquanto altera as condições acordadas em negociações anteriores. A situação de Gaza, já marcada por condições humanitárias severas, foi agravada pela suspensão da entrada de ajuda desde março.
O contexto político israelense também pesa na decisão de interromper o cessar-fogo. Gherman observa que a implementação da segunda fase do acordo de paz poderia enfraquecer o governo de Netanyahu, especialmente ao possibilitar a liberação de figuras-chave da política palestina. Isso colocaria o governo israelense em uma posição difícil, contradizendo seus próprios objetivos de guerra. Assim, a continuação dos bombardeios e o risco de instabilidade política indicam que a situação em Gaza segue altamente volátil, com grandes implicações tanto no plano regional quanto nas políticas internas de Israel.