O conceito do Ineos Compass, idealizado por Sir Jim Ratcliffe, tem gerado discussões sobre as mudanças que o futebol está vivenciando. Apresentado como uma ferramenta lúdica para ilustrar os valores e a maneira como a empresa Ineos opera, o Compass é basicamente um círculo dividido em duas partes: palavras positivas na parte superior e negativas na inferior. A ideia é destacar aspectos que a empresa valoriza, mas, ao mesmo tempo, revela uma certa desconexão com a realidade do futebol, como evidenciado por algumas declarações de Ratcliffe sobre as limitações de jogadores do time.
Embora a iniciativa de criar algo simples e visualmente direto pareça inofensiva, ela acaba refletindo um sintoma maior do que o futebol se tornou. A busca por valores corporativos e comerciais tem transformado o esporte, frequentemente minimizando aspectos como a complexidade das relações humanas e a importância das habilidades individuais no jogo. A simples apresentação de conceitos, sem uma reflexão mais profunda, pode ser vista como uma metáfora para a superficialidade de algumas abordagens no futebol moderno.
Esse tipo de iniciativa, que visa destacar a eficácia e a estrutura organizacional de uma empresa, também é um reflexo das mudanças em grandes clubes, como o Manchester United, onde a gestão se distancia de questões mais emocionais e focam apenas nos números. O Ineos Compass, portanto, ilustra uma visão onde o futebol é cada vez mais tratado como uma mercadoria, e menos como um espaço para o desenvolvimento e valorização das pessoas envolvidas.