A confiança da indústria brasileira registrou uma leve alta em março, com o Índice de Confiança da Indústria (ICI) subindo 0,1 ponto, para 98,4 pontos, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A estabilidade na percepção dos empresários em relação à situação atual e às expectativas futuras reforça um cenário de cautela, com estoques em níveis satisfatórios, apesar de sinais de pessimismo em horizontes de tempo mais longos. O Índice de Situação Atual (ISA) avançou 0,1 ponto, para 100,5 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) também teve um modesto aumento de 0,1 ponto, chegando a 96,4 pontos.
Apesar da melhora marginal em indicadores de produção e contratação no curto prazo, as expectativas para os próximos seis meses continuam negativas, com o indicador de tendência dos negócios recuando pela quinta vez consecutiva. O economista da FGV destacou que, embora haja estabilidade momentânea, o ciclo de alta dos juros e a perspectiva de desaceleração econômica podem criar desafios para o setor industrial em 2025. O Banco Central elevou a taxa Selic para 14,25% ao ano e sinalizou novos ajustes, aumentando a pressão sobre os custos empresariais.
O texto ainda ressalta que, quando o ISA supera 100 pontos, indica estoques acima do desejável, o que pode refletir um cenário de cautela nas decisões de investimento. Enquanto isso, a produção nos próximos três meses apresentou uma pequena alta, sugerindo uma recuperação tímida no curto prazo. O cenário econômico, marcado por incertezas inflacionárias e juros elevados, mantém os empresários em um estado de vigilância, equilibrando otimismo pontual com preocupações estruturais.