A participação da indústria no PIB brasileiro apresentou uma queda expressiva de 23,3 pontos percentuais entre 1985 e 2024, passando de 48% para 24,7%. Esse recuo reflete um processo de desindustrialização que teve início nos anos 1980, em um momento de transição do Brasil para a democracia. A partir dessa época, o país deixou de adotar uma agenda de política industrial forte, ao contrário de nações como China e Vietnã, que avançaram significativamente nesse setor. Além disso, o Brasil enfrenta uma carga tributária elevada, o que prejudica ainda mais a competitividade da indústria nacional.
A indústria de transformação, que responde pela transformação de matérias-primas em produtos como combustíveis e aeronaves, também viu sua participação no mercado global diminuir. De 1996 a 2003, essa participação caiu de 2,7% para 1,2%, com destaque para o crescimento de potências como China e Índia. O economista José Ronaldo de Souza apontou fatores como a globalização da produção e a falta de competitividade da indústria brasileira como as principais causas desse retrocesso. A substituição das importações, adotada como estratégia industrial nas décadas anteriores, não focou em exportações e resultou em uma indústria com baixa escala de produção.
O cenário de declínio da indústria brasileira é agravado por uma série de fatores estruturais, como o excesso de protecionismo e a falta de investimentos em capital humano. A terceirização também contribuiu para a diminuição da participação da indústria no cenário global, com muitos serviços anteriormente realizados pelas empresas industriais sendo agora prestados por empresas do setor de serviços. O fortalecimento da indústria é visto por especialistas como essencial para o crescimento do país, sendo um componente chave no desenvolvimento das nações com alta renda per capita.