Em fevereiro, o índice de preços ao consumidor da China registrou uma queda de 0,7%, a maior dos últimos 13 meses, superando as expectativas do mercado, que previam uma redução de 0,5%. A deflação foi impulsionada pela diminuição da demanda sazonal e pela cautela das famílias, que seguem preocupadas com a segurança no emprego e a renda. Os preços dos alimentos caíram 3,3%, enquanto os itens não alimentícios tiveram uma queda de 0,1%. Além disso, o Índice de Preços ao Produtor (PPI) também apresentou uma redução de 2,2%, superando a expectativa de uma queda de 2,1%.
Essa retração nos preços ocorre em um momento de desafios econômicos para a China, que, em resposta a uma intensificação das tensões comerciais com os Estados Unidos, anunciou tarifas retaliatórias sobre diversos produtos norte-americanos, como carne de frango, trigo, milho e algodão. A medida, que entra em vigor em 10 de março, visa proteger a economia chinesa, mas também pode afetar o comércio internacional, especialmente com países como o Brasil, que é um grande fornecedor de produtos agropecuários.
Especialistas indicam que as pressões deflacionárias podem levar a um aumento na demanda interna da China, estimulando a importação de mercadorias, especialmente do setor agropecuário brasileiro. Isso pode resultar em um impacto no mercado brasileiro, com possível aumento nos preços de produtos como soja, carne bovina e de frango, além do algodão, cujos principais destinos são as exportações para o país asiático.