As novas tarifas de importação sobre carros e peças automotivas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devem ter efeitos indiretos no Brasil. Especialistas apontam que o país pode receber o excedente da produção de exportadores como México, Coreia do Sul e Japão, que buscam alternativas aos EUA. No entanto, o acordo de livre comércio entre Brasil e México, em vigor desde 2019, deve facilitar a entrada desses veículos sem grandes alterações nos preços, já que a demanda local permanece limitada.
Outro possível impacto está no mercado de autopeças, setor no qual o Brasil exporta significativamente para os EUA. Caso as taxas sejam estendidas a esse segmento, a indústria nacional pode enfrentar desafios, como redução de produção e desemprego. Por enquanto, a cobrança foi adiada, mas a incerteza persiste, especialmente porque os EUA são o segundo maior destino das peças automotivas brasileiras.
O cenário global também preocupa, com expectativa de inflação nos EUA devido ao aumento nos preços de veículos importados. Enquanto fabricantes como Ford e Volkswagen podem ser afetadas negativamente, a Tesla, que produz localmente, tende a se beneficiar. A medida de Trump pode, assim, redistribuir a participação de mercado no setor automotivo norte-americano, privilegiando quem tem produção doméstica.