O Brunello di Montalcino, um dos vinhos mais emblemáticos da Toscana, ganhou reconhecimento internacional apenas na década de 1970, quando a região atraiu investidores e expandiu sua produção de poucos produtores para mais de 200. Santiago Cinzano, herdeiro da vinícola Col d’Orcia, destaca como a bebida evoluiu de um vinho de longa guarda para um perfil mais leve e acessível, refletindo as preferências dos consumidores e as mudanças climáticas. A família Cinzano, que adquiriu a propriedade em 1973, manteve um estilo tradicional, usando carvalho grande e neutro, enquanto adaptava técnicas para garantir qualidade em um cenário de clima imprevisível.
Hoje, a Col d’Orcia é a maior fazenda orgânica da Toscana, com 150 hectares de vinhedos e produção de 850 mil garrafas por ano. Santiago explica que, embora o Brunello deva envelhecer bem, os produtores buscam equilíbrio para que o vinho seja agradável tanto no lançamento quanto após anos de guarda. Além disso, ele comenta sobre o Rosso di Montalcino, uma opção mais acessível e versátil, e o projeto Lot.1, que seleciona as melhores uvas a cada safra para criar um Brunello com perfil específico e adaptável às variações climáticas.
Com viagens frequentes para promover os vinhos, Santiago dedica a maior parte do ano à vinícola, especialmente durante os meses críticos da colheita. Sua abordagem combina tradição e inovação, honrando a história da família enquanto responde às demandas modernas do mercado. A entrevista revela não apenas a trajetória do Brunello, mas também os desafios e oportunidades enfrentados por uma das regiões vinícolas mais prestigiadas da Itália.