Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda, alerta que o aumento dos gastos públicos, muitas vezes defendido como uma forma de estimular o crescimento do PIB, tem o efeito oposto, levando à queda do crescimento econômico. Ele argumenta que o aumento da dívida pública gera insegurança no mercado, eleva os juros e, por consequência, impede o crescimento sustentável. Meirelles cita a crise econômica brasileira dos anos 1980, que resultou em hiperinflação, como exemplo das consequências negativas do endividamento excessivo.
O ex-ministro destaca que a década de 1970, marcada pelo crescimento acelerado do PIB, foi impulsionada por empréstimos externos, mas a mudança nas políticas do Banco Central dos Estados Unidos nos anos 1980 resultou em uma crise financeira para o Brasil, que não conseguiu lidar adequadamente com o aumento da dívida. Ele também analisa a evolução econômica durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, enfatizando a importância da disciplina fiscal e do controle da política monetária para o crescimento do país.
Por fim, Meirelles observa que o momento atual da economia brasileira apresenta desafios relacionados ao aumento da dívida pública, o que coloca em risco a sustentabilidade fiscal. Ele aponta que, embora exista uma corrente econômica que defende maiores gastos como forma de estimular o crescimento, a experiência histórica demonstra que essa estratégia é prejudicial a longo prazo, podendo até levar à recessão, como ocorreu em 2016. O ex-ministro também menciona a importância do teto de gastos, implementado durante o governo de Michel Temer, para estabilizar a economia.