Duas obras de Handel, compostas com 40 anos de diferença, foram unidas de forma criativa em uma produção que mistura ópera e balé. Dirigido por Thomas Guthrie, o espetáculo “Tales of Apollo and Hercules” combinou a cantata italiana “Apollo e Dafne” (1710) com o oratório inglês “The Choice of Hercules” (1751), resultando em uma narrativa rica e cheia de referências cruzadas. A encenação, realizada no histórico Shoreditch Town Hall, em Londres, destacou-se pela inventividade e pela integração harmoniosa de música, dança e teatro.
Text: A produção contou com cinco solistas, um coro de 15 vozes, seis dançarinos do New English Ballet Theatre e a orquestra barroca La Nuova Musica, regida por David Bates. A coreografia de Valentino Zucchetti e o uso de marionetes adicionaram camadas visuais à trama, que alterna entre o mito de Apolo e Dafne e a jornada moral de Hércules. A fusão dos estilos italiano e inglês de Handel, embora incomum, mostrou-se coesa e envolvente, celebrando a versatilidade do compositor.
Text: A montagem foi elogiada por seu tom inteligente e, por vezes, irônico, equilibrando drama e leveza. Apesar de ser uma fórmula típica do barroco francês, pouco explorada na Inglaterra, a obra conquistou o público pela originalidade e pela execução impecável. O resultado foi um espetáculo vibrante, que reforçou a relevância de Handel na música clássica e a capacidade da arte barroca de surpreender até os dias atuais.