Em 15 de março de 1985, o Brasil encerrava oficialmente um ciclo de 21 anos de ditadura militar com a posse de José Sarney, após a morte de Tancredo Neves, eleito presidente em janeiro do mesmo ano. Sarney, até então vice-presidente, assumiu o cargo em meio a uma intensa disputa política e interpretações sobre a Constituição, que não previa claramente o que fazer diante da morte do presidente eleito. A decisão pela posse de Sarney foi tomada por lideranças do Congresso em uma noite de reuniões intensas e debates sobre o futuro do país.
A transição para a redemocratização também foi marcada por tensões internas, incluindo a resistência de setores militares, que tentaram impedir a posse de Sarney. Apesar dessas dificuldades, a posse ocorreu, e o Brasil, que havia sonhado com a eleição de Tancredo Neves como um símbolo de mudança, acordou com Sarney. A aliança entre Sarney e Tancredo foi um reflexo das complexas relações políticas que marcaram o processo de abertura do regime militar, que culminaria com a redemocratização nas décadas seguintes.
Embora Sarney fosse associado ao antigo regime militar, a transição também envolveu momentos decisivos, como a aprovação da Lei da Anistia em 1979, que perduraria como um marco da abertura política. O evento de 15 de março de 1985 não só representou a chegada ao poder de um novo governo, mas também a continuidade de um processo de reconciliação entre diferentes forças políticas, com o país caminhando lentamente para um novo modelo democrático, após anos de repressão e autoritarismo.