O Grupo Montesanto Tavares (GMT), um dos principais exportadores de café arábica do Brasil, solicitou recuperação judicial para reestruturar uma dívida de R$ 2,13 bilhões. O pedido foi protocolado na 2ª Vara Empresarial da Comarca de Belo Horizonte, abrangendo as empresas Atlântica Exportação e Importação, Cafebras Comércio de Cafés do Brasil, Montesanto Tavares Group Participações e Companhia Mineira de Investimento em Cafés. A decisão foi tomada após meses de dificuldades financeiras, agravadas pela volatilidade no mercado de café e pela alta nos preços da commodity, que superaram 120% nos últimos 12 meses.
A crise financeira do GMT também foi influenciada pela desvalorização do real frente ao dólar, que aumentou os custos operacionais da empresa, além da quebra da safra de 2021/22, o que forçou a compra de café a preços elevados para honrar contratos. Em novembro de 2024, a empresa tentou negociar suas dívidas judicialmente, mas sem sucesso, e, em dezembro, obteve uma proteção temporária contra execuções judiciais, que não abrangeu todas as suas obrigações financeiras. Com o fim do prazo de proteção e a continuidade das dificuldades, o GMT formalizou o pedido de recuperação judicial em fevereiro de 2025.
O processo de recuperação judicial envolve credores como Banco do Brasil, Santander, Bradesco, Itaú Unibanco e outros, com dívidas acumuladas pelas empresas do grupo. Se o pedido for aceito, será nomeado um administrador judicial para acompanhar o processo, e o GMT deverá apresentar um plano de reestruturação em até 60 dias, que será submetido à votação dos credores. A empresa reafirmou seu compromisso com clientes, produtores e credores, e declarou que está empenhada em implementar um plano de recuperação responsável.