O governo brasileiro decidiu adiar o plano de taxar grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs, devido ao receio de que a medida seja interpretada como uma resposta às políticas tarifárias do presidente dos Estados Unidos. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o projeto, já pronto, ficará em espera, enquanto o foco será direcionado a uma proposta menos polêmica para regular a concorrência no setor digital. Essa iniciativa, que está em consulta pública desde 2024, não tem fins arrecadatórios, o que a torna menos controversa.
A equipe econômica havia sinalizado anteriormente que, caso houvesse frustração nas receitas esperadas no segundo semestre de 2023, enviaria ao Congresso um projeto para tributar gigantes como Amazon, Google e Meta. No entanto, há cautela em avançar com a proposta no atual contexto, em que medidas que onerem empresas norte-americanas poderiam afetar negociações comerciais do Brasil. O país aguarda com incerteza os possíveis anúncios de novas tarifas pelos EUA, previstos para 2 de abril.
Enquanto isso, o governo prioriza a regulamentação da concorrência no mercado digital, vista como uma alternativa menos conflituosa. O ministro da Fazenda já defendeu a criação de um sistema doméstico para tributar big techs, mas a implementação depende de avanços em um acordo global liderado pela OCDE. A decisão reflete a estratégia de evitar atritos comerciais em um momento de tensões tarifárias internacionais.