O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) concluiu a remoção de 27 cabras da Ilha Santa Bárbara, no arquipélago de Abrolhos, após mais de 200 anos de presença dos animais no local. Introduzidas por navegadores durante o período colonial, as cabras se adaptaram à escassez de água doce, mas causavam impactos ambientais, como a degradação da vegetação e a interferência na reprodução de aves marinhas. A operação, realizada em parceria com a Marinha, Embrapa e outras instituições, visa proteger a biodiversidade do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, a primeira unidade de conservação marinha do Brasil.
As cabras removidas estão sendo estudadas pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) e pela Embrapa devido à sua resistência à seca, um traço genético potencialmente valioso para a criação de animais no semiárido. Isoladas em quarentena no campus da Uesb em Itapetinga, elas serão analisadas para confirmar sua singularidade genética e identificar os genes responsáveis pela adaptação à falta de água. Caso confirmada, a descoberta pode beneficiar produtores rurais, especialmente na Caatinga, onde a criação de cabras é essencial para a subsistência de famílias de baixa renda.
Os pesquisadores planejam ampliar o rebanho e armazenar material genético, como sêmen e embriões, para distribuição a pequenos agricultores. O estudo não só promete melhorar a resistência de rebanhos continentais em regiões áridas, mas também destacar o potencial de espécies isoladas para enfrentar os desafios climáticos. A iniciativa reforça a importância da conservação genética e do manejo sustentável em ecossistemas vulneráveis.