Há um século, o terceiro romance de F. Scott Fitzgerald, “O Grande Gatsby”, foi recebido com desapontamento pelo público e pela crítica, em contraste com o sucesso de suas obras anteriores. Na época, a história — que aborda origens obscuras, riqueza extrema e desejo romântico obsessivo — foi considerada improvável e forçada, além de um reflexo incômodo das desigualdades sociais e financeiras. Apenas posteriormente a obra foi reconhecida como uma exploração magistral de ilusão, autoengano e mitificação.
O próprio Fitzgerald morreu acreditando que o livro havia falhado, sem imaginar seu futuro status de clássico cultural. No entanto, como acontece com muitas obras literárias, “O Grande Gatsby” ressurgiu e hoje é celebrado, inspirando até mesmo releituras contemporâneas. Entre elas, destacam-se duas estreias literárias: uma que reconta a história com Gatsby como uma influenciadora digital, e outra que transforma o enredo em um mistério assassinato no estilo de Agatha Christie.
Em uma era de reinvenções e adaptações, o renascimento de “O Grande Gatsby” parece natural, ainda que irônico. Sua capacidade de se reinventar, mantendo-se relevante após 100 anos, comprova o poder duradouro da narrativa de Fitzgerald, que continua a ecoar em novas formas e gerações.