Uma investigação revelou um esquema de fraude no sistema de serviços de home care no Rio Grande do Sul, onde empresas manipularam documentos e simularam concorrências para garantir contratos com financiamento público. O objetivo era obter recursos de forma irregular, aumentando consideravelmente os gastos do estado com o atendimento domiciliar. O valor destinado a esses serviços no estado subiu de R$ 19 milhões em 2023 para R$ 39 milhões em 2024, gerando suspeitas de desvio de recursos.
Funcionários de uma das empresas envolvidas relataram que eram forçados a falsificar prontuários e atestados para justificar atendimentos que não ocorreram, com documentos sendo assinados sem a presença de profissionais responsáveis. A fraude também se estendia ao processo de escolha das empresas prestadoras de serviços, com concorrências manipuladas para favorecer determinadas empresas. Em um caso, uma empresária foi flagrada entregando orçamentos manipulados para garantir a vitória em disputas judiciais.
Além disso, a investigação aponta que houve um envolvimento de parentes de pacientes que usaram recursos destinados ao tratamento para fins pessoais. O Ministério Público está investigando o caso por organização criminosa, fraude em licitações e desvio de verbas públicas, enquanto a Procuradoria-Geral do Estado afirmou que o atendimento aos pacientes será mantido, independentemente das investigações.