No início do século 20, o cientista Raymond Dart fez uma descoberta que mudaria a visão sobre a evolução humana. Ao receber fósseis de uma pedreira na África do Sul, ele encontrou o crânio de uma criança, que viria a ser conhecido como o “menino de Taung”. Dart identificou características que o faziam acreditar que o fóssil representava uma espécie de macaco bípede, um elo perdido entre os macacos e os humanos, com um cérebro consideravelmente maior que o de outros primatas conhecidos até então. Esse achado desafiou as teorias dominantes sobre a origem da humanidade.
A descoberta, inicialmente ignorada e ridicularizada pela comunidade científica, foi vista como uma provocação ao paradigma vigente, que apontava a Ásia ou a Europa como os berços da evolução humana. Dart acreditava que os primeiros hominídeos tinham evoluído na savana sul-africana, uma ideia amplamente rejeitada por seus contemporâneos. Além disso, sua sugestão de que o “menino de Taung” poderia ter usado pedras como ferramentas foi ridicularizada, gerando piadas e críticas intensas, inclusive de grupos religiosos que viam a teoria como uma afronta à fé.
Foi apenas décadas depois que as ideias de Dart foram validadas. Novas descobertas de fósseis e estudos mais aprofundados, incluindo a famosa descoberta de Lucy, confirmaram a teoria da evolução humana na África. O “menino de Taung” foi finalmente reconhecido como um marco importante na paleoantropologia, com Dart sendo creditado por suas contribuições ao entendimento da origem humana. A importância de sua descoberta foi formalmente reconhecida em 1984, quando foi considerada uma das 20 descobertas científicas mais impactantes do século 20.