Zohib Islam Amiri, ex-capitão da seleção afegã, retornou ao país em janeiro para jogar pela primeira vez desde 2010, com o objetivo de inspirar jovens atletas. No entanto, ele encontrou um cenário ainda mais desolador do que o esperado, marcado por desmoralização e alegações de corrupção no futebol local. Amiri, pioneiro ao atuar no exterior em 2011, participou da Liga dos Campeões do Afeganistão, torneio criado após o retorno do Taliban ao poder em 2021.
A experiência foi frustrante: sua equipe, Abu Muslim, sagrou-se campeã após uma vitória controversa por 8 a 0, em meio a acusações de manipulação de resultados. O episódio, somado ao clima geral de desorganização e falta de transparência, levou Amiri a encerrar sua participação no campeonato. O jogador, que buscava contribuir para o desenvolvimento do esporte no país, decidiu que não valia a pena continuar diante das circunstâncias.
A situação reflete os desafios mais amplos enfrentados pelo Afeganistão, onde instituições esportivas e outras áreas da sociedade lutam para funcionar em meio a instabilidade política e acusações de má gestão. A história de Amiri ilustra como o esporte, muitas vezes visto como uma ferramenta de união e esperança, acaba sendo afetado por problemas estruturais que vão além dos campos.