Integrantes da Polícia Federal (PF) destacam que as provas coletadas na investigação sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado são robustas e não dependem exclusivamente da delação premiada de Mauro Cid. Durante o primeiro dia de análise da denúncia contra o ex-presidente e outras sete pessoas, as defesas questionaram a validade do acordo de colaboração, argumentando falta de ligação com provas concretas. Fontes da PF afirmaram que, embora o depoimento de Cid tenha sido útil, não foi determinante para a construção do relatório final de 884 páginas entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O ministro do STF Luiz Fux expressou ressalvas sobre as declarações do ex-ajudante de ordens, destacando inconsistências em suas nove delações. “Vejo com muita reserva nove delações de um mesmo colaborador, cada hora acrescentando uma novidade”, disse Fux, sem, no entanto, declarar ilegalidade no acordo. A validade da colaboração ainda será debatida caso a denúncia seja aceita e uma ação penal seja aberta.
O julgamento da denúncia, que pode tornar o ex-presidente réu, foi retomado pelo STF nesta semana. As discussões giram em torno da solidez das provas apresentadas pela PF, que, segundo a corporação, vão além dos depoimentos de colaboradores. O caso continua sob análise, com expectativa de novos desdobramentos nos próximos dias.