A trajetória do Federal Reserve (Fed) para um pouso suave na economia dos EUA está se tornando mais complexa diante de sinais de cautela dos consumidores e novos riscos inflacionários. Dados recentes mostraram gastos do consumidor praticamente estagnados em fevereiro, quando ajustados pela inflação, enquanto um indicador-chave de preços subiu. O Goldman Sachs revisou para baixo sua previsão de crescimento no primeiro trimestre, de 1% para 0,6%, refletindo preocupações com uma possível desaceleração econômica combinada com pressões inflacionárias.
Além disso, as expectativas de inflação a longo prazo ultrapassaram 4% em março, segundo a Universidade de Michigan, o dobro da meta do Fed. Isso tem levantado dúvidas sobre a capacidade do banco central de controlar a inflação sem prejudicar o emprego. A possível implementação de novos impostos sobre importações também pode agravar os desafios, pressionando ainda mais os preços e a confiança das empresas.
Diante desse cenário, o Fed pode adiar cortes na taxa de juros, já que o aumento persistente das expectativas inflacionárias pode exigir medidas mais duras. Autoridades estão monitorando de perto os dados, buscando equilibrar a estabilidade de preços com o pleno emprego. A situação coloca em xeque a estratégia inicial de um ajuste gradual, aumentando a incerteza sobre os próximos passos da política monetária americana.