A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República que transformou um ex-presidente e outros sete acusados em réus por suposta tentativa de golpe de Estado em janeiro de 2023. O ex-mandatário classificou as acusações como “infundadas” e afirmou que o processo avança em velocidade incomum, comparando-o a casos anteriores de grande relevância política no país. Ele também sugeriu que a motivação por trás do julgamento seria política, com o objetivo de impedir sua eventual candidatura em 2026.
Em declarações à imprensa e em publicações nas redes sociais, o ex-presidente criticou a celeridade do processo, alegando que não há precedentes para tamanha rapidez em casos dessa magnitude. Ele argumentou que o julgamento estaria sendo conduzido de forma direcionada, com resultado pré-definido, e comparou a situação a regimes autoritários, citando Nicarágua e Venezuela como exemplos. Além disso, afirmou que a comunidade internacional estaria acompanhando o caso com preocupação, enxergando padrões de perseguição seletiva e tentativa de eliminar a oposição por vias judiciais.
A denúncia da PGR aponta uma série de ações coordenadas para subverter o Estado Democrático de Direito, com envolvimento de figuras-chave do governo anterior e aliados. Entre os acusados, estão ex-ministros e militares de alta patente, que teriam atuado para contestar os resultados das eleições de 2022. O ex-presidente, no entanto, insiste que o processo é uma tentativa de interferência na dinâmica política do país, destacando que, se houvesse confiança na democracia, a disputa deveria ser resolvida nas urnas, e não no Judiciário.