O ex-líder da Guiné, condenado a 20 anos de prisão por crimes contra a humanidade, foi libertado após receber um indulto por motivos de saúde. A decisão foi anunciada pelo chefe da junta militar que governa o país, conforme decreto divulgado na televisão nacional. O ex-presidente, que estava preso desde sua condenação em julho de 2024, já se encontra na capital, Conacri, segundo informações de uma organização local de direitos humanos.
A condenação ocorreu após um julgamento histórico relacionado ao massacre de setembro de 2009, quando forças de segurança reprimiram violentamente um comício da oposição em um estádio. De acordo com investigações da ONU, o episódio resultou em centenas de mortes, feridos e casos de violência sexual, marcando um dos períodos mais sombrios da história recente do país. O julgamento, realizado sob o governo da junta militar que assumiu o poder em 2021, era aguardado há anos pelas vítimas e suas famílias.
A libertação do ex-líder levanta questões sobre o impacto da medida na justiça e na reconciliação nacional. Embora o indulto tenha sido concedido com base em razões médicas, o caso continua a gerar debate sobre a impunidade e os desafios para garantir accountability em contextos de transição política. Organizações de direitos humanos monitoram de perto os desdobramentos, enquanto o país enfrenta os legados de um passado violento.