Um ex-funcionário de uma clínica de estética em Goiânia relatou à polícia que os produtos utilizados nos procedimentos, como óleo de silicone e toxina botulínica, eram adquiridos no Paraguai e não possuíam o selo da Anvisa. Segundo o depoimento, os rótulos eram adulterados no Brasil para simular a aprovação da agência reguladora. O funcionário também afirmou que pediu demissão após descobrir que o líquido aplicado em pacientes não era ácido hialurônico, mas sim óleo de silicone, substância proibida para fins estéticos no país.
As investigações, iniciadas em abril de 2024, revelaram que pacientes sofreram complicações graves, incluindo necrose e embolia, após procedimentos realizados com produtos irregulares. A polícia indiciou os responsáveis pela clínica por crimes como lesão corporal gravíssima, exercício ilegal da medicina e falsificação. O casal proprietário do estabelecimento já foi preso duas vezes, mas segue aguardando decisão judicial sobre o caso.
A defesa de um dos investigados afirmou que a clínica nunca utilizou produtos de baixa qualidade, enquanto a outra parte não se manifestou até o fechamento da reportagem. O caso continua em andamento, com novas acusações sendo apuradas pelas autoridades. As vítimas, que buscaram a polícia após sofrerem complicações, destacam os riscos de procedimentos estéticos realizados sem a devida regulamentação.