O ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) avaliou os efeitos das tarifas sobre carros impostas pelo governo dos Estados Unidos, destacando que os resultados só serão perceptíveis no final ou após o mandato do atual presidente. As medidas, que visam estimular a reindustrialização e a geração de empregos nos EUA, enfrentam desafios significativos, como o longo prazo necessário para a maturação de investimentos em novas fábricas, que pode levar de três a quatro anos. Além disso, a incerteza sobre as regras comerciais desencoraja empresas a tomar decisões imediatas.
A complexidade das tarifas é agravada por acordos comerciais já existentes, como no caso do Canadá, terceiro maior fornecedor de automóveis aos EUA, onde há dúvidas sobre como as novas medidas se somarão às anteriores. Um exemplo extremo é o dos carros elétricos chineses, que podem enfrentar tarifas acumuladas de até 172%. O ex-diretor da OMC alerta para os riscos de um protecionismo excessivo, comparando a situação à Lei Smoot-Hawley de 1930, que agravou a recessão e reduziu drasticamente o comércio global.
O cenário atual gera preocupação, especialmente com novas tarifas previstas para abril, cujos detalhes ainda são desconhecidos. A falta de clareza pode ter consequências significativas para a economia mundial, potencialmente desencadeando retaliações e afetando o comércio internacional. A análise reforça a necessidade de transparência e previsibilidade nas políticas comerciais para evitar impactos negativos prolongados.